sexta-feira, 15 de outubro de 2010

AUTISMO - O que é o AUTISMO? Explicação simples através de Vídeos e Textos

“Não há palavras no dicionário deles, mas a linguagem universal do amor também é não-verbal. Para se expressar através dela, há os gestos, a expressão corporal, a vibração sutil, invisível da emoção, da solidariedade, da paciência , da aceitação da pessoa como ela é e não como queremos que ela seja. É de se presumir que eles estejam fazendo tudo o que lhes seja possível, dentro de suas limitações. Com um pouco de boa vontade de nossa parte, talvez concordem em tocar a mão que estejamos oferecendo a fim de saltarem o abismo que nos separa... ”

“Se você não puder curar a criança autista, ame-a . De todo o seu coração , com todo o seu amor e toda a sua aceitação. Alguma tarefa importante ela está desempenhando junto de você, certamente para proveito de ambos.
Uma luz transcendental que irá iluminar uma felicidade com a qual você nem imaginou que pudesse existir : Confie, trabalhe e espere!"



O QUE É AUTISMO?
O autismo é um transtorno invasivo do desenvolvimento, isto é, algo que faz parte da constituição do indivíduo e afeta a sua evolução. Caracteriza-se por alterações na interação social, na comunicação e no comportamento. Manifesta-se antes dos 3 anos e persiste durante a vida adulta. Há outros distúrbios do desenvolvimento que se enquadram no perfil de problemas autísticos, mas que não incluem todas as características da doença.
Basicamente, quatro fatores indicam a presença do autismo infantil: problemas de relacionamento social, dificuldade de comunicação, atividades e interesses restritos e repetitivos e início precoce.

Relacionamentos
A criança autista tem dificuldade em se relacionar com outros indivíduos. Assim, mantém-se distante, evita o contato visual, demonstra falta de interesse pelas pessoas e não procura conforto quando se machuca. Em 50% dos casos, o interesse social se desenvolve com o tempo, mas a reatividade, a reciprocidade e a capacidade de empatia permanecem prejudicadas. O autista tem dificuldade em ajustar seu comportamento ao contexto social e não consegue reconhecer ou responder adequadamente às emoções dos demais.
É comum, porém, que a criança tenha proximidade com os pais, desenvolvendo inclusive a afeição, mas é mais propensa a abraçar do que a aceitar ser abraçada. As interações sociais com os pares são restritas. Mesmo autistas adultos têm habilidade limitada de fazer amizades íntimas.



Comunicação
A dificuldade de comunicação afeta a compreensão e a expressão, o gestual e a linguagem falada. Metade dos autistas não conseguem desenvolver uma fala compreensível; a outra metade mantém atrasos nessa área. Uma minoria aprende palavras e até frases no período apropriado, mas depois perdem essa habilidade.
Quando a expressão verbal é desenvolvida, é tipicamente diferenciada e atrasada, com ritmo e entonações anormais. O indivíduo costuma repetir palavras ou frases (ecolalia), cometer erros de reversão pronominal (troca do “você” pelo “eu”), usar as palavras de maneira própria (idiossincrática), inventar palavras (neologismos), usar frases prontas e questionar repetitivamente. Normalmente o autista não mantém uma conversação, simplesmente fala para outra pessoa. Alguns usam a expressão verbal apenas para pedir coisas; outros, não percebem que o ouvinte não tem mais interesse no assunto. Os gestos são reduzidos e pouco integrados ao que está sendo dito. Metade das crianças autistas desenvolve uma fala compreensível até os 5 anos. Aquelas que não o tenham feito, dificilmente terão uma expressão verbal apropriada.





Interesses
Com relação às suas atividades e interesses, os autistas são resistentes a mudanças e mantêm rotinas e rituais. É comum insistirem em determinados movimentos, como abanar as mãos e rodopiar. Preferem brincadeiras de ordenamento (alinhamento de objetos, por exemplo) e têm fascinação por objetos ou elementos inusitados para uma criança (zíperes e cabelos, por exemplo). Costumam preocupar-se excessivamente com temas restritos, como horários fixos de determinadas atividades ou compromissos. Dificilmente brincam de faz-de-conta e quando isso ocorre, limitam-se a ações simples de um ou dois episódios histórias ou programas de TV favoritos.
Apesar de ser dificilmente detectada no primeiro ano de vida, a doença pode se manifestar nesse período, caracterizada por um desenvolvimento anormal. Um dos sinais é a aversão ao colo. Em casos raros, a partir de uma certa idade, a criança entra numa fase de regressão e perde habilidades de interação social e comunicação adquiridas nos primeiros anos de vida.


Prevalência
Duas em cada mil crianças têm algum distúrbio autístico. Dessas, de 10% a 50% são portadoras do autismo infantil (a variação percentual decorre das diferentes formas de classificação da doença). A doença atinge aproximadamente 0,05% da população, e a ocorrência de novos casos é mais comum no sexo masculino, na razão de três homens para cada mulher afetada. Não há uma clara relação entre o autismo e a classe sócio-econômica, apesar de estudos mais antigos apoiarem essa teoria.
O retardo mental afeta a maioria dos autistas. Cerca de 50% dos portadores do distúrbio têm quociente de inteligência (QI) inferior a 50; 70%, menor que 70; e 95%, abaixo de 100. Como a fala nesses indivíduos é normalmente prejudicada, a avaliação do QI é feita com testes não-verbais. Autistas com retardo mental são propensos a se automutilar, batendo com a cabeça ou mordendo a mão, por exemplo.

Outros sintomas
Um terço dos autistas com retardo mental sofrem crises convulsivas, que começam a se manifestar dos 11 aos 14 anos. Mas o problema também afeta 5% dos autistas com QI normal. Além disso, muitas crianças autistas apresentam problemas comportamentais ou emocionais. A hiperatividade é freqüente, mas pode desaparecer na adolescência e ser substituída pela inércia. A irritabilidade também é comum e costuma ser desencadeada pela dificuldade de expressão ou pela interferência nos rituais e rotinas próprios do indivíduo. A alimentação em exagero é uma forma de comportamento ritualístico. O autista também pode desenvolver medos intensos, que desencadeiam fobias.
Cerca de 10% dos autistas perdem habilidades de linguagem e intelectuais na adolescência. O declínio não é progressivo, mas as capacidade intelectual perdida geralmente não é recuperada.
Na vida adulta, quase 10% dos autistas trabalham e são capazes de se cuidar. Raramente mantém bons amigos, casam-se ou tornam-se pais. Crianças com um QI inferior a 60 provavelmente se tornarão dependentes na vida adulta. Entretanto, quando o QI é mais alto e a fala é compreensível, os autistas têm 50% de chance de desenvolver um bom desempenho social.

Origem
Uma grande variedade de distúrbios relacionados ao autismo foram reportados na literatura médica. Para a maioria das crianças autistas sem uma disfunção correlata, as causas ligadas a fatores genéticos são as mais prováveis. Estudos com gêmeos sugerem que a hereditariedade está intimamente ligada ao transtorno e que a origem esteja numa combinação de genes, e não em um único gene isolado.
A taxa de recorrência de autismo entre irmãos é de aproximadamente 3% e varia de 10% a 20% para as formas variantes da doença. Nos casos de autismo associado a retardo mental profundo e severo, as causas podem estar mais ligadas a danos cerebrais do que a fatores genéticos.
Não há evidências de que problemas psicossociais ou eventos traumáticos na infância, como desatenção dos pais, influenciem o surgimento do autismo. Há duas teorias principais sobre a causa do autismo, nenhuma delas comprovada. A primeira sugere que o problema original está na incapacidade do autista de perceber que há diferenças entre seu estado mental e o dos outros. Assim, o indivíduo teria dificuldade em ver o ponto de vista dos demais, mas seria capaz de compreender ações mecânicas e comportamentais dos objetos e das pessoas. A outra hipótese diz respeito à função executiva do indivíduo, que geraria dificuldades de planejamento e organização.

Tratamentos
O tratamento mais adequado para crianças autistas inclui escolas especializadas e apoio dos pais. Elas geralmente se desenvolvem melhor em instituições educacionais bem estruturadas, em que professores têm experiência com autismo. Programas comportamentais podem reduzir a irritabilidade, os acessos de agressividade, os medos e os rituais, assim como promover um desenvolvimento mais apropriado.
Medicamentos que agem sobre o psiquismo não controlam os principais sintomas do autismo, mas podem atenuar os sintomas associados. Estimulantes são capazes de reduzir a hiperatividade, mas geralmente aumentam de forma intolerável os atos repetitivos. Doses baixas de neurolépticos costumam reduzir a agitação e as repetições e em dosagens mais altas podem reduzir a hiperatividade, a retração e a instabilidade emocional. No entanto, é preciso verificar se o benefício é superior aos problemas causados pelos efeitos colaterais dessas drogas.

MAIS ALGUNS PONTOS SOBRE O AUTISMO
O Autismo:
• Desordem de compreensão
• Orgânico e de desenvolvimento
• Complexo e Variado
• Co-existe com outras deficiências
• Os melhores programas são individuais e educacionais – os professores são os principais terapeutas

Autismo e a "Cultura autista"

Nossa Cultura
Falar , explicar
Seguimos Modelos
Aprendemos conceitos
Grupos - Ambiente Natural
Guia Social - desenvolvimento da comunicação Visual, experimental

Cultura Autista
Aprendem fatos concretos
Um-para-um Ambiente controlado
Rotinas, hábitos sistemáticos de trabalho
habilidades de comunicação - Intermediadas

Como abordar os déficits COGNITIVO – atenção – organização – generalização
• Ensinar novas habilidades no um-para-um
• Organização visual
• Seqüencia de atividades - programação
• Tarefas organizadas inicio e fim claros.

Diferenças Sensoriais
• Reduzir os estímulos na sala de aula
• Ajustar-se ao estilo sensorial da criança
• Enfoque visual

Diferenças Sociais - Socialização empatia
• Ajustar a demanda social e o nível de contato ao tolerado pela criança
• Tornar a interação social mais concreta e visual quanto possível
• Ensinar habilidades sociais específicas

Comunicação
• Ajudar a entender o processo de comunicação – a troca
 • Começar com o sistema atual da criança
• Usar enfoque visual - mesmo p/ os verbais
• Ensinar conceitos significativos em contexto significativo

Comportamentais
• Comportamentos inapropriados surgem quando estão com medo, entediados, quando não entenderam o que foi solicitado ou quando o que foi solicitado é muito difícil
• Reduzir estímulos
• Gerenciar mudanças

Principais pontos do Método
• Estrutura Física
• Programação diária
• Sistema de trabalho
• Rotinas
• Apoio Visual

Estrutura Física
Estrutura Física Atividade Independente
• Limites Físicos e Visuais bem claros
• Minimizar distrações visuais e auditivas
• Os limites não são para conter
• Mesa um-para-um
• Mesa individual de trabalho
• Painel de transição
• Área de lazer
• Mesa de grupo

Programação Diária
• Indica visualmente ao estudante quais tarefas serão realizadas
• Instrumento de apoio para ensinar o que vem antes, o que acontece
• depois, proporcionando o planejamento de ações e seu encadeamento numa seqüência de trabalhos
• Formas de apresentação:
- Com objetos
- Com figuras (Desenhos ou Fotos)
- Figuras e descrições
- Por Escrito
- Nível de entendimento, duração (limites da criança).

Sistemas de Trabalho
• Tarefas que devem desenvolver a capacidade para realizar atividades de forma independente
• Estabelecer relação causa-efeito, noção de seqüência (início / meio / fim)
• São individuais e devem informar ao estudante :
• Qual é a atividade
• O quanto deve trabalhar (quantas vezes, quanto tempo)
• Como saber que terminou e o que fazer depois de terminada a tarefa
• O que vem depois
• São ensinados primeiramente nas sessões individuais e após apresentar
• Domínio na realização passará a fazê-los de forma sistemática

Rotinas
• Possibilitam o entendimento do que está ocorrendo
• Propiciam confiança e segurança
• Autistas têm boa memória à isso deve ser usado a fim de favorecer o aprendizado
• As dificuldades de generalização indicam a necessidade de rotina clara e previsível

Apoio Visual
A estrutura visual colabora porque dá informações a nível de entrada visual que é um ponto de habilidade do autista
Se baseia em:
a) Organização Visual : os materiais e o espaço devem apresentar uma Organização Visual. Separar materiais delimitar área de trabalho na mesa
b) Clareza Visual : Enfatizar os pontos importantes do trabalho, tornar visíveis os conceitos através e cores/rótulos e outras dicas visuais
c) Instruções Visuais : indicam o que fazer e em que seqüência.

* A comunicação envolve muito mais que linguagem verbal, pode até não incluí-la.
* Portadores de autismo apresentam déficit de atençãoorganização e processamento à impedindo a compreensão de regras e padrões de linguagem à portanto iremos buscar sistemas alternativos de comunicação : esta é a função básica do apoio visual.

PECS Picture Exchange Communication System Sistema de Intercâmbio de Imagens
• Temple Grandin e outros autistas frequentemente dizem que “pensam em figuras” enquanto que o resto de nós pensamos através de palavras.
• Desenvolvido há 12 anos por Lori Frost e Dr. Andrew Bondy
• Primeiramente usado pelo Programa de Autismo do estado de Delaware (EUA).
• Amplamente reconhecido por se focar na INICIATIVA como componente da comunicação
• Não exige materiais complexos ou caros, criado com educadores, terapeutas e pais , podendo ser prontamente usado em várias situações.
• Crianças pequenas que usam PECS também começam a desenvolver a fala.
• As crianças são ensinadas a se aproximar (chegar perto) e dar uma imagem (foto) de um objeto desejado, a seu interlocutor, para obter tal objeto
• Disponibilize ou crie um Sistema de Símbolos (desenhos em preto e branco ou coloridos , fotos comerciais, fotos pessoais, porta-imagens
• As imagens devem estar facilmente disponíveis durante o treinamento.
FASE 1 – O INTERCÂMBIO FÍSICO
FASE 2 – DESENVOLVENDO A ESPONTANEIDADE
FASE 3 – DISCRIMINAÇÃO DE FOTOGRAFIAS
FASE 4 – ESTRUTURA DA ORAÇÃO
FASE 5 – RESPONDENDO A “O QUE QUER”
FASE 6 – RESPOSTA E COMENTÁRIO ESPONTÂNEO

INTER-RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO
Eles podem não se lembrar do que você disse
Eles podem não se lembrar do que você fez
Mas eles sempre se lembrarão do que os fez sentir

Bibliografia:
AUTISMO e Transtornos Invasivos do Desenvolvimento - Revisão histórica do conceito, diagnóstico e classificação -José Raimundo da Silva Lippi . Anotações do Seminário apresentado por Jack Wall no IV Encontro de Amigos do Autista – 1997 . Livro Autismo Infantil – J.Salomão Schwartzman e col. Livro Prof. Márcia – ASTECA – Brasília.

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