segunda-feira, 24 de outubro de 2011

AUTISMO: Robô ajuda crianças inglesas com autismo a identificar emoções

Robô ajuda crianças inglesas com autismo a identificar emoções

DA ASSOCIATED PRESS

Eden Sawczenko se retraía quando outras meninas seguravam sua mão e ficava imóvel quando a abraçavam.
Neste ano, Eden, de quatro anos, que sofre de autismo, começou a brincar com um robô que ensina sobre emoções e contato físico.

Alastair Grant/AP
Eden Sawczenko, 4, que tem autismo, reage ao robô Kaspar, em escola ao norte de Londres
Eden Sawczenko, 4, que tem autismo, reage ao robô Kaspar, em escola ao norte de Londres
"Ela está mais afetuosa com seus amigos e, agora, até toma a iniciativa de abraçar", afirma Claire Sawczenko, mãe da menina.
Eden frequenta uma pré-escola para crianças autistas em Stevenage, ao norte de Londres, onde pesquisadores levam um robô com feições humanas do tamanho de uma criança uma vez por semana para uma sessão supervisionada.
As crianças, cujos níveis de autismo variam de leve a severo, brincam com o robô por dez minutos, enquanto um cientista controla o aparelho por controle remoto.
O robô, chamado Kaspar, é programado para sorrir, franzir, rir, piscar e balançar os braços. Foi construído por cientistas da Universidade de Hertfordshire a um custo de 1.300 libras (R$ 3.475).
Kaspar ainda está em fase experimental, e os pesquisadores esperam que ele possa ser produzido em massa por um preço menor.
INTERAÇÃO
O robô faz poucos truques, como dizer: "Olá, meu nome é Kaspar. Vamos brincar". Ele ri quando encostam em suas laterais ou nos seus pés, levanta os braços e, se leva um tapa, põe as mãos no rosto e grita: "Ai, isso dói".
"Crianças com autismo não reagem bem às pessoas porque elas não entendem as expressões faciais", diz Ben Robis, pesquisador de ciências da computação na Universidade de Hertfordshire e especialista em autismo.
"Robôs são mais seguros para elas porque há menos a interpretar, eles são bem previsíveis", afirma.
Há projetos similares no Canadá, no Japão e nos EUA, mas a pesquisa inglesa é uma das mais avançadas. Até agora, cerca de 300 crianças com autismo já brincaram com Kaspar naquele país.
Especialistas sem ligação com o projeto afirmam que a ideia é promissora.
Para Abigael San, representante da Sociedade Britânica de Psicologia, é possível que as crianças transfiram o que aprenderam com o robô para suas casas.
Mas ela alerta que especialistas e pais não podem depender tanto assim de robôs.
"Não queremos que crianças com autismo fiquem muito acostumadas aos robôs. Elas precisam aprender a se relacionar com pessoas."
Kerstin Dautenhahn, pesquisadora da Universidade de Hertfordshire e responsável pelo projeto, diz que o robô também pode ser usado para crianças com síndrome de Down e outros problemas.

AUTISMO: Psiquiatra de Yale vai lançar enciclopédia sobre autismo

Psiquiatra de Yale vai lançar enciclopédia sobre autismo

DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE

O psiquiatra Fred Volkmar, 61, professor da Universidade Yale (EUA), está trabalhando em uma enciclopédia, que será lançada no ano que vem, sobre todos os transtornos que se encaixam na nomenclatura do autismo.
Eduardo Anizelli/Folhapress
Fred Volkmar, especialista em autismo e psiquiatra da Universidade Yale, em durante visita a São Paulo em agosto
Fred Volkmar, especialista em autismo e psiquiatra da Universidade Yale, em durante visita a São Paulo em agosto
O americano falou à Folha sobre novas pesquisas que abordam a criação de testes físicos que detectem o autismo em bebês. Volkmar participou também da gravação de um documentário da ONG Autismo e Realidade.
Folha - Por que o autismo precisa de uma enciclopédia?
Fred Volkmar - Tem muita pesquisa sobre autismo saindo todos os dias, é difícil para os pais acompanharem tudo isso. Esse trabalho vai ser referência e vai estar na internet. Isso é importante por causa da explosão do autismo no Google: são mais de 17 milhões de páginas. Os pais ficam muito confusos.
Hoje, o rastreamento de autismo é feito por meio de questionários aplicados aos pais das crianças. Isso não é ruim, mas começa aos 18 meses. As perguntas são coisas muito básicas, do tipo, se o bebê não responde ao próprio nome. Queremos fazer o diagnóstico muito mais cedo para intervir mais cedo.
Enquanto não há teste genético, vai dar para fazer exame físico para autismo?
Há muitas causas para perda de audição, mas ninguém faz teste genético para isso. Você faz um teste de audição. Há a possibilidade de fazer testes de autismo com o mesmo princípio de um teste auditivo, que tenham a ver com fisiologia. Temos dados que mostram que autistas não veem rostos da mesma maneira como as outras pessoas. Esse tipo de coisa pode dar origem a um teste de rastreamento para autismo.
Pode se falar em buscar uma cura para o autismo?
Se falamos sobre ter uma vida independente, sim. O que queremos é que a criança funcione na sociedade. Todo mundo conhece gente excêntrica, há um espectro grande do que se considera normal. Se conseguirmos que a pessoa se encaixe entre o que é considerado normal, estamos satisfeitos. É assim que eu imagino a cura.

AUTISMO:

Hormônio cerebral é testado para tratar pessoa com autismo

DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE

A ocitocina, hormônio produzido no cérebro e ligado a funções corporais, como o parto e a produção de leite em mulheres, e a relações sociais, como a ligação entre pais e filhos, pode virar tratamento contra autismo. Pessoas com o transtorno têm dificuldade de reconhecer expressões faciais e de criar laços sociais.
O psiquiatra James Leckman, que veio a São Paulo no mês passado, a convite do Instituto de Psiquiatria da USP, está pesquisando o efeito da ocitocina em autistas.
Arte/Folhapress
O médico, que é professor de psiquiatria infantil em Yale, participa de estudo em que voluntários recebem doses de ocitocina e terão seus cérebros examinados em testes de imagem. A pesquisa ainda está em andamento.
Mas trabalhos anteriores com o hormônio mostram que doses intranasais de ocitocina podem melhorar as habilidades sociais do autista.
Um estudo publicado no ano passado na revista "PNAS" descreve os efeitos da ocitocina em um grupo de pessoas com autismo.
O hormônio melhorou o reconhecimento de expressões faciais e a habilidade de interação dos voluntários com autismo em jogo virtual.
Outro exercício exigia que os participantes olhassem para expressões faciais em um computador e identificassem se o rosto era de homem ou mulher e a direção que os olhos apontavam.
Autistas, antes do tratamento com ocitocina, olhavam pouco para o rosto representado na imagem. Após as doses de ocitocina, conseguiram fixar mais seu olhar.
O resultado sugere que a ocitocina reduza a ansiedade dos autistas na hora de fazer contato visual.
Segundo Leckman, ainda é necessário fazer mais testes para determinar se o tratamento é seguro e eficaz. "É diferente ler expressões faciais em um teste e na vida real. Também não se sabe se o hormônio vai fazer diferença a longo prazo."

AUTISMO: Autismo engloba variedade de transtornos sociais

Autismo engloba variedade de transtornos sociais

HÉLIO SCHWARTSMAN
ARTICULISTA DA FOLHA
 
 
Se há um estado que desafia as categorias mais comumente utilizadas pelos médicos é o autismo.
Embora ele apresente uma forma clássica facilmente reconhecível, na qual a criança, na maioria das vezes um menino, vive num mundo à parte, praticamente sem linguagem e apresentando movimentos e hábitos muito característicos, os especialistas falam cada vez menos em autismo e mais em transtornos do espectro autista (TEAs).
A ideia é que não se trata de uma moléstia isolada mas de uma série de condições que têm como marca anormalidades nas interações sociais e na comunicação. O autismo clássico é a forma mais dramática, mas há outras, menos graves, nas quais se vive com autonomia total.
Pessoas com síndrome de Asperger não costumam apresentar retardo mental nem incapacidade linguística.
Podem ser bastante inteligentes, com notável percepção para detalhes e interesse obsessivo por alguns assuntos, nos quais se aprofundam até saber tudo. Mas, como não são boas para lidar com gente, é difícil encontrá-las em profissões como psicologia. Procuram ofícios que lidam com objetos ou sistemas, como engenharia, matemática, xadrez competitivo.
Como coloca a psicóloga Susan Pinker, é gente que pega de primeira a teoria das cordas, mas não consegue decodificar os sinais de vergonha na face de uma pessoa.
Além do autismo clássico e da síndrome de Asperger, compõem os TEAs o transtorno de desenvolvimento pervasivo não específico, a síndrome de Rett e o transtorno desintegrativo da infância.
De modo controverso, alguns autores como Simon Baron-Cohen propõem que as TEAs são casos extremos de "cérebro masculino", já que, em testes psicométricos, homens se saem melhor do que mulheres em sistematizações enquanto elas os superam em habilidades sociais.
A hipótese tem amparo da epidemiologia. Há 4,3 meninos com TEA para cada menina. Assim, espectro iria do autismo clássico até a "nerdice" comum dos garotos.
Embora a medicina procure compreender e curar as TEAs, há uma corrente, composta principalmente por portadores da síndrome de Asperger, que defendem que o autismo não é uma doença, mas apenas uma variante neuronal, uma outra forma de ser.

 

AUTISMO: Estudo relacionando vacina a autismo era fraude, diz publicação

Estudo relacionando vacina a autismo era fraude, diz publicação
DA REUTERS
O médico britânico Andrew Wakefield, que publicou estudos relacionando vacinas com autismo e acabou caindo em desgraça, cometeu uma "fraude elaborada" ao falsificar dados, afirmou a "British Medical Journal".
Os editores da publicação disseram não ser possível que Wakefield tenha cometido um erro. Ele deve ter falsificado dados para o estudo, o qual convenceu milhares de pais de que as vacinas são perigosas --fato que motivou o avanço de surtos de caxumba e sarampo.
A publicação, conhecida por suas iniciais BMJ, endossou as afirmações com uma série de artigos de um jornalista. Eles se valeu de registros médicos e entrevistas para mostrar que Wakefield falsificou dados.
Segundo a reportagem, Wakefield incluiu informações de apenas 12 crianças em sua pesquisa, mas estudou pelo menos 13, e diversas mostraram sintomas de autismo antes de terem sido vacinadas.
O temor de que a vacinação pudesse causar autismo fez com que pais deixassem de levar seus filhos para receber as doses e também resultou em custosas reformulações de várias vacinas.
"Quem perpetrou essa fraude? Não há dúvida de que foi Wakefield", disseram em artigo assinado na BMJ a editora Fiona Godle, a subeditora Jane Smith e o editor associado Harvey Marcovitch --o texto está disponível na internet.
Em 1998, a publicação médica The Lancet, rival da BMJ, apresentou um estudo de Wakefield e colegas relacionando a vacina tríplice viral-MMR (contra sarampo, caxumba e rubéola) com o autismo. Os outros pesquisadores retiraram seus nomes do estudo e a Lancet se retratou formalmente em sua edição impressa, em fevereiro do ano passado.
Em maio, o médico perdeu seu registro depois de ter sido condenado por má conduta profissional. O GMC (Conselho Geral de Medicina) considerou que Wakefield agiu de forma "desonesta", "enganosa" e "irresponsável" enquanto fazia a pesquisa sobre uma possível ligação entre a vacina com doenças intestinais e autismo.
AUTOR NEGA ACUSAÇÕES
"O estudo não é uma mentira. As descobertas que fizemos foram reproduzidas em cinco países", disse Wakefield à TV CNN na quarta-feira.
Um painel disciplinar do Conselho Geral Médico Britânico afirmou, em fevereiro de 2009, que Wakefield havia apresentado sua pesquisa de modo "irresponsável e desonesto" e levou a profissão médica ao descrédito.
A editora Godlee e colegas afirmaram sobre o trabalho que ele foi baseado "não em má ciência, mas em fraude deliberada".


Médico inglês que ligou a vacina a autismo enfrenta processo ético

da Efe, em Londres

O Conselho Médico Geral do Reino Unido iniciou um processo contra o médico Andrew Wakefield, que em 1998 sugeriu que podia haver uma ligação entre a vacina tríplice viral e o autismo, na segunda-feira (16). Wakefield é acusado de falta de ética profissional em sua pesquisa.
Wakefield e dois colegas, John Walker Smith e Simon Murch, enfrentam a acusação pela polêmica pesquisa, publicada em 1998 na revista "The Lancet". Isso levou milhões de pais a enfrentar o dilema de vacinar ou não seus filhos com a tríplice viral ou MMR (contra sarampo, caxumba e rubéola).
O conselho não analisa as afirmações científicas contidas no artigo, mas tenta definir se Wakefield e seus colegas do Hospital Royal Free de Londres violaram uma série de práticas éticas durante o estudo, feito entre 1996 e 1998.
Segundo a entidade, os três profissionais não atuaram de maneira ética e faltaram com honradez ao pedir que o estudo fosse publicado.
Caso o conselho conclua que eles agiram com falta de ética profissional, podem ter o registro médico cassado. O processo ainda pode durar vários meses.
Recrutamento no aniversário
Segundo o processo, Wakefield pagou cinco libras esterlinas (quase R$ 20) a crianças para fornecerem um exame de sangue durante a festa de aniversário de seu filho.
Os profissionais são acusados ainda de agir de forma irresponsável ao não revelar à "The Lancet" o método utilizado para recrutar os pacientes submetidos ao estudo.
Diversos simpatizantes de Wakefield se reuniram em frente à sede do Conselho Médico britânico com cartazes de apoio e gritando slogans em defesa do médico na segunda-feira (16).
O artigo publicado em 1998 levantou na época uma forte polêmica entre a classe médica e criou um dilema para os pais.
Em 2004, a revista declarou que a ligação entre a vacina e o autismo não estava provada e o artigo nunca deveria ter sido publicado.
Os médicos insistem que a tríplice viral é segura e que outros estudos não puderam estabelecer um vínculo entre a vacina e o autismo.
Antes da pesquisa de Wakefield, mais de 90% das crianças recebiam a tríplice no Reino Unido. Após a advertência do médico, o número caiu para abaixo de 80%, subindo de volta a 85% este ano.

AUTISMO: Curto período entre gestações aumenta risco de autismo do filho, diz estudo

Curto período entre gestações aumenta risco de autismo do filho, diz estudo

DA EFE

Uma criança que nasce menos de dois anos depois que o irmão tem mais chances de sofrer autismo que aquela que nasce pelo menos três anos depois, constata um estudo da Universidade de Columbia (Nova York), publicada na segunda-feira (10)pela revista médica "Pediatrics".
Os pesquisadores determinaram, a partir de uma amostra de mais de 500 mil crianças californianas, que o espaço de tempo entre os nascimentos é um fator de risco para o diagnóstico do autismo.
As probabilidades de uma criança sofrer da doença aumentam quanto menor é o tempo que passou entre as gestações da mãe, de modo que as crianças que nascem menos de um ano após seus irmãos possuem risco mais elevado de sofrer autismo.
Os pesquisadores encontraram evidências do vínculo entre o período entre gestações e o autismo em pais de todas as idades, o que fez com que descartassem a possibilidade de que o fator de risco fosse a idade dos progenitores, e não o tempo transcorrido entre os nascimentos.
No entanto, um dos principais responsáveis do estudo, Peter Bearman, advertiu à "Pediatrics" que são necessárias mais pesquisas para confirmar a relação entre o período de tempo entre as gestações e o autismo. "A ciência é muito lenta e funciona passo a passo", declarou.
Os fatores que explicam a influência do período de tempo entre os nascimentos para a ocorrência da doença não "estão claros", lamentou Bearman.