segunda-feira, 24 de outubro de 2011

AUTISMO: Bebês prematuros e de baixo peso têm maior risco de autismo

Bebês prematuros e de baixo peso têm maior risco de autismo

DA FRANCE PRESSE

Os bebês prematuros e de baixo peso são cinco vezes mais propensos a desenvolver autismo que os bebês nascidos no período correto e com peso normal, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira nos Estados Unidos após duas décadas de pesquisas.
Há algum tempo se sabe que os bebês prematuros correm mais riscos de ter problemas de saúde e atraso cognitivo, mas o estudo publicado na revista "Pediatrics" é o primeiro a estabelecer uma relação entre o baixo peso ao nascer e o autismo.
Os cientistas estudaram 862 crianças do nascimento até a idade adulta. Os participantes do estudo nasceram entre 1984 e 1987 em três condados de Nova Jersey com pesos entre 500 g e 2 kg.
Com o tempo, 5% dos bebês com baixo peso no nascimento foram diagnosticados com autismo, contra 1% de prevalência entre a população geral.
"A medida que a sobrevivência dos bebês menores e imaturos melhora, os que seguem adiante representam um desafio cada vez maior para a saúde pública", disse a principal autora do estudo, Jennifer Pinto Martin, diretora do Centro de Estudos do Autismo e Deficiências do Desenvolvimento da Faculdade de Enfermaria da Universidade da Pensilvânia.
"Os problemas cognitivos nestas crianças podem esconder um autismo de fundo", completou, antes de pedir aos pais que levem os filhos para exames ante a suspeito de um transtorno de espectro autista.
"A intervenção rápida melhora os resultados em longo prazo e pode ajudar estas crianças tanto na escola como em casa", disse.
Autismo é o termo que designa uma série de condições que vão desde uma escassa interação social a comportamentos repetitivos e silêncios arraigados. Este transtorno afeta principalmente os meninos e suas causas são objeto de intensos debates.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/991873-bebes-prematuros-e-de-baixo-peso-tem-maior-risco-de-autismo.shtml

AUTISMO: Pesquisas refutam relação entre autismo e exposição ao mercúrio

Pesquisas refutam relação entre autismo e exposição ao mercúrio

do New York Times

Muitos pais se preocupam com uma possível ligação entre o autismo e a exposição ao mercúrio. Porém, a maioria das pesquisas descarta esse temor como sem fundamento, e um novo estudo diz que, na realidade, as crianças autistas possuem níveis de mercúrio no sangue mais baixos do que as crianças que se desenvolvem normalmente.
Os níveis de mercúrio estão intimamente relacionados à ingestão de peixe, segundo o estudo, e crianças com autismo e doenças relacionadas tendem a ser muito exigentes em relação à comida --e acabam evitando peixes.
Depois que os pesquisadores ajustaram para o menor consumo de peixe das crianças autistas, eles não encontraram diferenças entre seus níveis de mercúrio e os de outras crianças.
Irva Hertz-Picciotto, professora de ciências de saúde pública da Universidade da Califórnia, em Davis, que foi a principal investigadora do estudo, disse que as novas descobertas não abordaram se o mercúrio pode desempenhar algum papel no autismo.
"Estávamos medindo níveis depois que o diagnóstico já havia sido feito e estava meses no passado em alguns casos", disse Hertz-Picciotto. "Então este estudo não fornece evidências contra ou a favor".
O relatório, publicado online, em 19 de outubro, no jornal "Environmental Health Perspectives", é parte de um estudo continuado comparando crianças autistas e não-autistas na Califórnia. Com 452 participantes, o estudo inclui 249 crianças com autismo ou doenças de mesmo espectro, 143 que estão se desenvolvendo normalmente e 60 com atrasos de desenvolvimento.

AUTISMO: Autismo afeta uma a cada cem crianças nos EUA

Autismo afeta uma a cada cem crianças nos EUA

da Folha de S.Paulo

Uma em cada cem crianças americanas de até oito anos tem autismo, revela um novo estudo dos CDCs (Centers for Disease Control and Prevention).
A incidência é cinco vezes maior entre os meninos do que entre as garotas.
Segundo Catherine Rice, que liderou o estudo, tem crescido o número de casos de autismo em todos os grupos raciais. Para ela, isso se deve a uma melhor detecção, especialmente em grupos que antes não tinham tanta atenção, como as crianças hispânicas.
A maioria das crianças pesquisadas apresentou sintomas antes dos três anos de idade, mas o diagnóstico só foi feito depois dos quatro anos.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u669454.shtml

Teste de R$ 13 pode detectar autismo, segundo pesquisa

Teste de R$ 13 pode detectar autismo, segundo pesquisa

O autismo pode se tornar uma doença evitável graças a um teste que custaria apenas 6 euros (pouco mais de R$ 13), graças a uma pesquisa desenvolvida por cientistas do Reino Unido, segundo o jornal britânico "Daily Telegraph".
O diagnóstico do autismo sempre foi difícil, e a doença costuma permanecer irreconhecível até estados avançados, quando já é muito tarde para ser tratado, mas os pesquisadores do Imperial College de Londres descobriram uma forma de detectar a doença em crianças a partir dos seis meses de vida.
O autor do estudo, Jeremy Nicholson, explicou que as crianças autistas têm uma bactéria nos intestinos que pode ser detectada através de exame de urina, antes que apareçam os primeiros sintomas da doença.
Esta descoberta faz com que um intenso tratamento centrado na conduta social do paciente poderia começar antes que a doença cause danos psicológicos permanentes.
Uma em cada cem pessoas no mundo sofre autismo, o que significa que no Reino Unido há mais de 500 mil pessoas com a doença, que se manifesta com transtornos que vão desde leves problemas para interagir socialmente até graves dificuldades de comportamento, como mudez.
Atualmente, o grau de autismo é avaliado a partir de testes que exploram a integração social, a capacidade de comunicação e as aptidões imaginativas do paciente.
A equipe científica que realizou a pesquisa considera que a relação entre a bactéria intestinal e as dificuldades na aprendizagem pode abrir o caminho para tratamentos probióticos contra o autismo.
Os pesquisadores submeteram crianças de idades entre três e nove anos -39 com autismo, 28 sem autismo, mas com um irmão que tinha, e 34 sem autismo e sem irmãos autistas- a ressonâncias magnéticas, endoscopias e análise químicas.
O estudo revelou que as crianças não autistas, mas com irmãos que tinham a doença, apresentavam uma análise química diferente dos que não tinham irmãos autistas, e a das crianças com autismo era diferente das dos outros dois grupos.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/745545-teste-de-r-13-pode-detectar-autismo-segundo-pesquisa.shtml

AUTISMO: Técnica para tratar autista mais cedo traz ganho de QI e comunicação

Técnica para tratar autista mais cedo traz ganho de QI e comunicação

RACHEL BOTELHO
da Folha de S. Paulo

Um estudo pioneiro da Universidade de Washington publicado nesta terça-feira (1º) na revista "Pediatrics" revela que bebês com transtornos do espectro autista podem ter ganhos de comunicação, de interação social e de QI quando submetidos a uma intervenção intensiva precoce, a partir dos 18 meses de idade.
A pesquisa envolveu 48 crianças com 18 a 30 meses, separadas em dois grupos. Um deles recebeu 20 horas de um tratamento chamado ESDM (Early Start Denver Model) e cinco horas de terapia aplicada pelos pais, por semana. O grupo controle foi encaminhado para terapia em centros comunitários de Seattle (EUA).
Ao fim dos dois anos de estudo, o QI das crianças do grupo submetido ao ESDM subiu, em média, 18 pontos, em comparação a quatro pontos entre as do grupo controle. Sete crianças apresentaram uma melhora global significativa o bastante para que recebessem um diagnóstico mais leve, de distúrbio invasivo do desenvolvimento -no grupo controle, apenas uma chegou a tanto.
Para o psiquiatra Estevão Vadasz, coordenador do Projeto de Autismo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, apesar de o método ser aplicado há mais de 20 anos em crianças mais velhas, inclusive no Brasil, o trabalho é original ao revelar eficiência em uma faixa etária mais baixa. "Sabe-se que, quanto mais cedo se tem o diagnóstico, melhor, mas ninguém tinha feito um estudo grande assim."
O médico defende que o método seja aplicado [no serviço público] no Brasil "o mais urgente possível". "É muito mais barato investir quando a criança é pequena do que gastar bilhões com adultos e adolescentes, quando não se tem praticamente nada a fazer."
Ana Maria Mello, superintendente da AMA (Associação de Amigos do Autista), também é a favor de tratar cedo. "A intervenção precoce faz toda a diferença. A partir dos dois anos de idade, os resultados já são muito bons", afirma.
Luiz Celso Vilanova, chefe do Departamento de Neurologia Infantil da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), acha a proposta positiva, mas faz uma ressalva. "Se esse método é melhor do que outros, não dá para saber [pelo estudo], mas ele é multidisciplinar, foi elaborado por fisioterapeutas, fonoaudiólogos, pediatras, neurologistas", afirma.
Segundo ele, poucos centros no país atendem o autista de maneira intensiva, como no estudo. Para Vadasz, sua aplicação não é viável na rede pública. "Na particular, custa de R$ 1.000 a R$ 2.500 por mês."
Diagnóstico
Segundo Vilanova, nem sempre é possível, aos 18 meses, diagnosticar o autismo infantil.
"Mas posso colocar no grupo de distúrbio invasivo do desenvolvimento [doenças caracterizadas por dificuldade de interação social e de comunicação e por um repertório restrito de interesses e atividades, como o autismo] quando a criança tem comprometimento de linguagem, de habilidades motoras, comportamentos repetitivos.
Há casos em que dá para saber, mas há outros em que não", diz ele.
O diagnóstico depende ainda do acesso aos serviços de saúde. "Em famílias mais ricas, tenho visto aos dois anos. No SUS, há crianças de cinco anos sem diagnóstico, que terão muito menos ganhos do que se tivessem iniciado o trabalho antes."
Mello afirma conhecer apenas um caso de diagnóstico de criança com menos de dois anos de idade, mas acredita que a tendência é que os médicos detectem a doença cada vez mais cedo, por terem maior acesso à informação.

AUTISMO: Crianças autistas podem ser afetivas, diz estudo!

Crianças autistas podem ser afetivas, diz estudo


GUILHERME GENESTRETI
DE SÃO PAULO

Com três anos, L.S. ainda não fala, mas sua mãe, Deise, 28, tem esperança de que ele desenvolva essa capacidade.
Letícia Moreira/Folhapress
L.S, 3 anos, durante uma consulta com sua mae Deise de Andrade Santos, 28, no ambulatório de autismo do HC
L.S, 3 anos, durante uma consulta com sua mae Deise de Andrade Santos, 28, no ambulatório de autismo do HC
Seu filho é autista. Anda pela casa de olhos fechados e passa muito tempo girando o corpo. Quando quer algo, L.S. agarra a mão de Deise para comunicar seu desejo.
"Ele é muito carinhoso, sempre retribui os meus beijos e abraços. E percebe quando estou triste, chega até a parar de comer", diz.
A dona de casa Joana também testemunhou um ato de empatia por parte de seu filho, Tiago. Autista de grau moderado, o jovem de 25 anos percebeu que a mãe estava abalada com a morte de um parente e quis confortá-la: "Ele oferecia a camiseta dele para secar as minhas lágrimas", conta.
Ainda que não se saiba se a troca de afetividade entre mãe e filho seja mera imitação de gestos por parte do autista, há pesquisas que contradizem a ideia comum segundo a qual os autistas são frios e alienados.
Um estudo conduzido na Queen's University, Canadá, com 15 crianças autistas, avaliou a capacidade que elas tinham para contar e sustentar uma mentira.
Os pesquisadores perceberam que 12 dessas crianças eram capazes de contar "mentiras piedosas", cujo objetivo é não desapontar as expectativas dos outros.
Quando recebiam um presente que não gostavam (um sabonete, no teste), eles mentiam para não magoar quem os havia presenteado.

NEM TÃO RÍGIDOS
Para Gustavo Giovannetti, psiquiatra da Unifesp, a habilidade que os pesquisadores detectaram não pode ser generalizada para todos os espectros de autismo, muito menos para casos mais severos, mas confirma teses mais atuais a respeito do tema.
"O que a pesquisa mostra é que o desenvolvimento dos autistas não é tão fechado e que seus sintomas não são assim tão rígidos", afirma.
Segundo o psiquiatra Estevão Vadasz, coordenador do ambulatório de autismo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, o mérito do estudo é desafiar o senso comum sobre a frieza dessas pessoas.
"É preciso acabar com esse mito de que autistas não têm afetividade. O que eles têm é dificuldade para demonstrar sentimentos por causa de suas limitações em se comunicar", diz.
A reportagem da Folha visitou na sexta-feira (15) o ambulatório em que o médico atende no HC, em meio a atividades lúdicas como a presença de contadores de história e cães terapêuticos.
Um de seus pacientes, o adolescente F.V., 15, estava acompanhado pela mãe, Angela. "Ele começou a ficar agressivo. Bate em mim e quebra tudo se não é atendido. Não tenho mais força para controlá-lo. Já pensei até em interná-lo", desabafa.
Vadasz afirma que mesmo o comportamento agressivo de F.V. é uma prova de que ele tem emoções.
"A raiva é uma demonstração de seus sentimentos e de sua frustração por não conseguir exprimir um desejo."
Um diagnóstico precoce, diz o médico, pode melhorar as perspectivas de jovens autistas: "Quanto mais cedo a criança for tratada, maiores as chances de desenvolver capacidades de interação".
Sinal que pode ser promissor para o pequeno L.S., que ainda não consegue falar.
"Ele é muito novo ainda, quem sabe até os seis anos não seja capaz de desenvolver a comunicação verbal?", afirma o médico.